Líder do Grupo “Fotografia Ficcional: Experimentações na Arte Contemporânea”, Ruth Sousa, participa do I Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia.

A professora e líder do grupo “Fotografia Ficcional: Experimentações na Arte Contemporânea”  Ruth Sousa realizou comunicação no dia 17 de maio no I Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia , realizado no MIS São Paulo com organização do Estúdio Madalena. Ruth Sousa apresentou o artigo “A Fotografia como Paradoxo de Superfície”, uma análise filosófica de alguns aspectos da linguagem fotográfica, opondo a leitura realizada por André Rouillé em La photographie à filosofia de Gilles Deleuze em A lógica do Sentido. Segue Fotos da apresentação:

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Créditos: Júlio Riccó

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Evgen Bavcar, o Fotógrafo Cego.

                                                                                                                                                                                                                                                       

“Eu  fotografo o que imagino. Os originais dentro da minha cabeça. É uma questão de criar uma imagem mental, o registro físico que melhor representa o trabalho do que se imagina”.

“Minhas imagens são frágeis, eu nunca as vi, mas sei que elas existem, e algumas delas me tocam profundamente só de ouvir falar”.

    – Evgen Bavcar

Entrevista com Evgen Bavcar realizada em sua visita ao Brasil, acesse aqui.

Artigo:  Evgen Bavcar: silêncios, cegueiras e alguns paradoxos – Elida Tessler, acesse aqui.

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O Ato Criador – Duchamp

                                                         O ATO CRIADOR
Marcel Duchamp
Consideremos dois importantes fatores, os dois pólos da criação artística: de um
lado o artista, do outro o público que mais tarde se transforma na posteridade.
Aparentemente o artista funciona como um ser mediúnico que, de um labirinto
situado além do tempo e do espaço, procura caminhar até uma clareira.
Ao darmos ao artista os atributos de um médium, temos de negar-lhe um estado
de consciência no plano estético sobre o que esta fazendo, ou por que esta fazendo.
Todas as decisões relativas à execução artística do seu trabalho permanece no domínio
da pura intuição e não podem ser objetivadas numa auto-análise, falada ou escrita, ou
mesmo pensada.
T.S. Eliot escreve em seu ensaio sobre Tradition and Individual Talents. “Quanto
mais perfeito o artista, mais completamente separados estarão nele o homem que sofre
e a mente que cria; e mais perfeitamente a mente assimilará e expressará as paixões
que são o seu material”.
Milhões de artistas criam; somente alguns poucos milhares são discutidos ou
aceitos pelo público e muito menos ainda são os consagrados pela posteridade.
Em última análise o artista pode proclamar de todos os telhados que é um gênio;
terá de se esperar pelo veredicto do público para que sua declaração assuma um valor
social e para que finalmente, a posteridade o inclua entre as figuras da História da Arte.
Sei que esta afirmação não contará com a aprovação de muitos artistas que
recusam este papel mediúnico e que insistem na validade da sua conscientização em
relação à arte criadora – contudo, a História da Arte, atreves de considerações
completamente divorciadas das explicações racionais do artista.
Se o artista como ser humano, repleto das melhores intenções para consigo e
para com o mundo inteiro, não desempenhar papel algum no julgamento do próprio
trabalho, como poderá ser descrito o fenômeno que conduz o público a reagir
criticamente à obra de arte? Em outras palavras, como se processa esta reação?
Este fenômeno é comparável a uma transferência do artista para o público, sob a
forma de uma osmose estética, processada através da matéria inerente, tais como a
tinta, o piano, o mármore.
Antes de prosseguir, gostaria de esclarecer o que entendo pela palavra “arte” –
sem, certamente, tentar uma definição.
O que quero dizer é que a arte pode ser ruim, boa ou indiferente, mas, seja qual
for o adjetivo empregado, devemos chama-la de arte, e arte ruim, ainda assim é arte, da
mesma forma que a emoção ruim é ainda emoção.
Por conseguinte, quando eu me referi ao “coeficiente artístico”, deverá ficar
entendido que não me refiro somente à grande arte, mas que estou tentando descrever o
mecanismo subjetivo que produz a arte em estado bruto – à i’état brut – ruim, boa ou
indiferente.
No ato criador, o artista passa da intenção à realização, através de uma cadeia de
relações totalmente subjetivas. Sua luta pela realização é uma série de esforços,
sofrimentos, satisfações, recusas, decisões que também não podem e não devem ser
totalmente conscientes, pelo menos no plano estético.
O resultado deste conflito é uma diferença entre a intenção e a sua realização,
uma diferença de que o artista não tem consciência.
Por conseguinte, na cadeia de relações que acompanha o ato criador falta um elo.
Esta falha que representa a inabilidade do artista em expressar integralmente a sua
intenção; esta diferença entre o que quis realizar e o que na verdade realizou é o
“coeficiente artístico” pessoal contido na sua obra de arte.
Em outras palavras, o “coeficiente artístico” é como uma relação aritmética entre o
que permanece inexpresso embora intencionado, e o que é expresso nãointencionalmente.
A fim de evitar um mal-entendido, devemos lembrar que este “coeficiente artístico”
é uma expressão da arte à l’état brut, ainda num estado bruto que precisa ser “refinado”
pelo público como açúcar puro extraído do melado; o índice deste coeficiente não tem
influência alguma sobre tal veredicto. O ato criado toma outro aspecto quando o
espectador experimenta o fenômeno da transmutação; pela transformação da matéria
inerte numa obra de arte, um transubstanciado real processou-se, e o papel do público é
de determinar qual o peso as obras de arte na balança estética.
Resumindo, o ato criador não é executado pelo artista sozinho; o público
estabelece o contato entre a obra de arte e o mundo exterior, decifrando e interpretando
suas qualidades intrínsecas e, desta forma, acrescenta sua contribuição ao ato criador.
Isto torna-se ainda mais obvio quando a posteridade da seu veredicto final e, às vezes,
reabilita artistas esquecidos.
___________________
Texto apresentado à Convenção da Federação Americana de Artes. Em Houston, Texas,
USA, abril de 1957.

Rever: Retratos Ressignificados – A Fotografia de Retrato como fonte de uma Narrativa Ficcional

REVER: RETRATOS RESSIGNIFICADOS 
A FOTOGRAFIA DE RETRATO COMO FONTE DE NARRATIVA FICCIONAL 
Rochele Boscaini Zandavalli - UFRGS
Resumo 
Este artigo pretende explicitar algumas das questões envolvidas no procedimento 
contemporâneo de apropriação de imagens fotográficas pré-existentes, mais 
especificamente de retratos fotográficos que passam a servir como fonte de narrativa 
ficcional. Para isso, traço uma linha de análise do uso dado ao retrato pelos fotógrafos 
pioneiros, pelos artistas das vanguardas européias  do início do século XX, e pelos 
contemporâneos como Urs Lüthi, Cindy Sherman, Sophie Calle e Christian Boltanski. 
Herdeiros da tensão gerada pela dupla natureza da linguagem fotográfica, que se situa 
entre a apreensão do real e a construção do ficcional, de diferentes modos, eles fazem 
uso da tensão inerente à técnica fotográfica, entre o sujeito biológico e sua máscara 
social. Com isso ajudam a expandir a noção original de retrato fotográfico. 
Palavras-chave: Retrato fotográfico, narrativa, ficção, apropriação
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